Entrevista ao ‘Artista.pt’  |  [  back to bio ]

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Entrevista para o portal: Artista.pt
Setembro de 2012

 

A) Como se define enquanto artista (escultor, pintor, fotógrafo,…) e quando é que se iniciou?

PC) A expressão artista não é uma expressão que eu, à partida, goste muito, mas, é a que está instituída para esta actividade e como tal tenho que conviver com ela. Depois, a questão de Pintor, Escultor, Fotografo …etc, não me sentido muito ‘devoto’ em nenhuma destas áreas, mas fazendo uso de todas elas, fico com outro problema em responder à questão. Assim, e por desde sempre sentir o que afirmei anteriormente, desde 89 (ano da minha primeira exposição individual) que opto por me caracterizar por artista plástico, deixando cair qualquer umas das caracterizações mais específicas.

 

Por que é que escolheu essa forma de arte?

Não sei se poderei dizer que escolhi, é uma coisa natural e não ouve uma altura em que tivesse que fazer uma escolha. Começa cedo com a tendência do desenho em pequeno e desenvolve-se agarrado ao nosso crescimento. É natural…

 

Quais as técnicas que mais utiliza?

A minha actividade é fértil em generosas misturas de materiais. Para além do óleo ou acrílico, as colagens e a utilização de matérias não normalmente ‘ligadas’ às artes são uma constante. Sempre mantive essa característica e foi ela que me levou até à descoberta daquele que é hoje o meu material de eleição para a execução dos meus trabalhos, as chapas de alumínio.

 

O que é que destacaria do seu trabalho?

Não conseguiria aqui destacar alguma característica do meu trabalho. Procuro um nível que me permitirá, em princípio, fazer tal destaque, ou melhor, permitir a alguém encontrar esse destaque, mas acho que ainda não o tenho. Mas luto por isso…

 

Em que é que está a trabalhar atualmente?

Agora, e depois de ter estado a preparar a exposição ‘escuta(te)’ estou a fazer uma volta ao meu passado e a tentar deixar as chapas um pouco de ‘repouso’ dando dessa forma um pouco mais de espaço ao desenho e à pintura.

 

Isso quer dizer que poderemos ver uma exposição de pintura sua num futuro próximo?

…pouco provável, no entanto, quero fortalecer um pouco mais essas áreas que até aqui tem servido apenas como ‘ferramentas’ de apoio.

 

Há lugar para a arte em Portugal? Justifique a sua resposta.

Sim porque é uma expressão natural, humana, e como tal haverá sempre criadores a espantar-nos com o seu trabalho. Se esses criadores poderão vir a viver dessa actividade, …duvido. A esmagadora maioria não vai conseguir e vai ter que encontrar profissões que suportem uma existência amargurada por não se poder estar sempre a fazer o que se ama.

 

Por onde passa o futuro da arte em geral?

Investimento em vez do desinvestimento que vemos dia após dia. Muitas feiras Associações de artistas um núcleo forte de Galerias de preferência que instituam momentos para a promoção de jovens artistas (apesar da parte comercial desfavorável nesta franja de artistas) e projectos com o este que é o ‘ARTISTA’

 

E qual é o futuro da (sua) arte?

Não faço a mais pálida ideia. Quero continuar a ser honesto comigo mesmo e a fazer o tipo de trabalho que me dá prazer, depois disso, tenho que aceitar o que me tiver destinado.

 

Finalmente, há algum artista ou artistas portugueses que o inspire(m) particularmente e que recomendaria para figurar no nosso site? Quem?

Na realidade vejo muita arte, quer em galerias quer na web mas não tenho actualmente nenhum artista como referência. Tenho muitos que admiro e que acompanho, mas não como referência base para as minhas obras.

No passado sim, quando passei por uma apaixonada fase de CUBISMO em que Picasso e Amadeu de Sousa Cardoso era uma referência inevitável, sucedida pelo SURREALISMO em que Salvador Dali e o nosso Cruzeiro Seixas faziam as minhas delicias e as suas obras a minha “Bíblia” de consulta diária. Depois, com o tempo, “libertei-me” dessas ligações e tento encontrar o meu caminho, os meus materiais o meu horizonte.