Paulo Canilhas desenvolve o seu trabalho a partir de uma observação crítica da relação entre o indivíduo e a sociedade, explorando os pontos de tensão onde identidade, ambição, limite e resistência se cruzam. É neste território instável que a sua prática artística se constrói, entendendo a criação como um espaço de questionamento e confronto com o contexto em que existe.

Nos primeiros anos de formação contou com a orientação próxima do professor e escultor António Júlio, figura determinante na confiança e estruturação do seu olhar artístico. Dessa relação nasceu o Núcleo de Artes Plásticas do Laranjeiro (NAP), coletivo que cofundou e que funcionou como um espaço de experimentação ativa entre linguagens, metodologias e processos. As exposições realizadas nesse contexto assumiram um papel fundamental na consolidação do seu percurso.

Posteriormente, foi convidado para uma residência artística de um ano no atelier de António Júlio, em Almada. Este período marcou uma fase intensa de investigação prática, centrada no aprofundamento do diálogo entre pintura e escultura, dois eixos que continuam a estruturar o seu trabalho. A residência permitiu-lhe testar materiais, cruzar disciplinas e desenvolver narrativas visuais assentes na matéria, no gesto e no processo. Complementou mais tarde a sua formação com o Curso Avançado de Artes Plásticas do AR.CO – Centro de Arte e Comunicação Visual*, reforçando a base técnica e conceptual que sustenta a sua prática atual.

Em 2014 integrou a galeria MAC – Movimento Arte Contemporânea como assistente de curadoria, experiência que lhe proporcionou uma compreensão direta do circuito expositivo e do funcionamento do mercado de arte contemporânea. O seu trabalho parte frequentemente de vivências pessoais, mas procura ultrapassar o registo autobiográfico, construindo estruturas visuais abertas à projeção do observador. Trabalha quase exclusivamente em séries, entendendo o corpo de trabalho como uma unidade narrativa onde cada obra funciona como fragmento de um sistema maior, construído por acumulação, repetição e variação.

Canilhas não se define por uma disciplina única. Atravessa pintura, instalação, desenho e registo visual como campos complementares, usando essa mobilidade como ferramenta para expandir o pensamento e o processo artístico. O seu interesse reside na travessia entre linguagens, na fricção entre meios e na procura constante de um ponto de fuga que lhe permita gerar um diálogo diferenciador com o mundo que observa.

Num contexto social marcado pela hiperprodutividade e pela aceleração constante, questiona-se sobre a possibilidade de ainda ser diferenciador. É precisamente essa dúvida, e a recusa em a resolver de forma cómoda, que alimenta a sua prática artística.

Está representado em coleções privadas e institucionais, nacionais e internacionais.

  • Bolsa de estudo SILOGIA – Workplace SolutionsApós pesquisas preliminares,



Mentions

2023

  • Prémio Aquisição I BIALE – Bienal de arte do Alentejo
  • Seleção para artista do mês de dezembro na revista Londrina de Arte “No Name Collective” Vol 10

2018

  • Mérite Artistique – Museu “La Pinacothèque” Luxembourg
  • Honourable Mention – Drawing – Almada Drawing Biennial
  • A jury composed by:
  • Filipa Oliveira – Casa da Cerca’s and Artistic Director – Almada Contemporary Art Center
  • João Pedro Cochofel – Visual Artist and member of the Administration of Diferença Gallery
  • Louro Artur – Painter, Teacher and delegate of Imargem

2014

  • Prize – Sculpture
  • By the MAC Gallery – Contemporary Art Movement

2011

  • Prize – Cultural Collaboration
  • By the MAC Gallery – Contemporary Art Movement

2010

  • Revelation Artist Award
  • By the MAC Gallery – Contemporary Art Movement

2009

  • London Calling Finalist in London – England
  • A jury composed by:
  • Vanessa DesClaux – Assistant Curator of Performance, The Tate Modern, London
  • Tom Morton – Curator at the Hayward Gallery, London and contributing editor at Frieze
  • Francesco Manacorda – Curator at the Barbican Art Gallery, London