por Raquel d´Arrábida Farelo
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Na fronteira entre design e arte, Paulo Canilhas encontra um espaço para explorar e expandir os limites que separam a arte de outras disciplinas. O artista combina e edita referências do mundo deixando de lado as noções de Passado e Futuro, para resultar num Presente repleto de simultaneidades e entretenimento.
Paulo Canilhas usa para as suas obras vários suportes, como por exemplo, as chapas de alumínio, tornando as suas peças esculturas de parede que representam a força dos elementos e da vida, como o envelhecimento, as imperfeições e a beleza. Das suas obras parecem soltar-se gritos, perguntas, permitindo que o observador encontre sempre referências pessoais no trabalho do artista. Noutras, misturando técnicas, recorre a suportes mais convencionais como a tela e o papel.
Nesta exposição (“as Pedras do caminho que faço” Galeria Via Idea) Paulo Canilhas representa os caminhos trilhados que nem sempre se revelam fáceis. Encontramos, muitas vezes, pedras no nosso caminho. Umas vezes gigantes, outras, pequenas, mas todas são colocadas para que possamos aprender, crescer e consolidar conhecimentos e valores. Da experiência difícil, resulta sempre um amadurecimento. Estas serie, agora mais figurativa, cria uma encenação de figuras que contam uma história e surpreendem pela familiaridade cativante das situações por que todos passamos.
Nos desenhos as áreas maiores de cor são contrapostas a linhas que transcorrem sob o papel estabelecendo um percurso. Há uma espécie de suspensão dada pelas figuras recortadas que ativam o fundo fazendo com que este atue ainda com mais força na composição da obra.
Na série “Extração da Pedra da Loucura” inspirada na obra de Hieronymus Bosch, com o mesmo nome, em que este representa uma operação cirúrgica realizada à data, e que segundo os testemunhos escritos, consistia na extração de uma pedra que seria a causa da loucura do homem, era então aceite que, loucos o eram por terem uma pedra na cabeça... Paulo Canilhas aborda a charlatanice da situação e, modernizando os personagens, representa os três elementos ativos, médico, padre e freira, deixando de fora o paciente louco (...ou não louco, mas sim vitima) tentando desta forma provocar e deixar uma questão... seremos nós o louco? ...seremos nós a vítima?
Neste mundo insano todos temos um pouco de loucos e estas peças levam-nos ao questionamento e à introspeção.
Na mais recente série de trabalhos de Paulo Canilhas o registo da figura tornou-se inevitável, sem intenção de o ser, deixando escapar, entre outros, sentimentos de saudade.
Raquel d´Arrábida Farelo
Gallery Art curator
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