Talvez seja a minha formação e experiência profissional que me leva a pensar e questionar sobre o futuro de mais uma feira na FIL ou talvez seja o coração e a ligação ao tema desta feira que me faz ter receio de lhe ver acontecer o que já vi a tantas ao longo de muitos anos. Não sei qual é a razão mais forte neste caso, mas seja de que maneira for… receio.

Não digo isto pela qualidade do evento em si, estive lá e gostei. Vi qualidade, contemporaneidade, irreverência, inovação provocação. Gostei… Conversei com pessoas do meio e fiquei a saber mais sobre a feira do que o que já sabia até então, soube que apesar de tudo há um esforço grande para que este evento se mantenha e exista. A minha interrogação e preocupação aparece porque o que eu não vi na feira foi crescimento, público, investimento. Vi o espaço mais confortável mais amplo mas, infelizmente, pelo resultado da diminuição de galerias, e vi a feira dividida em duas línguas, Português e Espanhol. Trinta e uma galerias Espanholas só pode ser motivo de satisfação pela sua presença, no entanto, há por trás desta adesão razões que preocupam, razões que se prendem com a menor adesão das galerias nacionais, razões que se prendem com o não ficar com uma feira ‘cheia de espaço’, razões que se prendem com o facto de que para muitas galerias nacionais, contas feitas, ainda sai mais vantajoso ir lá fora do que expor em Lisboa. Razões que urge contrariar.

Voltando um pouco atrás, visto novamente o fato de macaco e penso que uma feira como esta necessita de mais comunicação. Centenas de outdoors por Lisboa será suficiente? … talvez não. Para além desse meio e de todo o esforço no convite de colecionadores já conceituados que obviamente são o garante de uma boa parte do sucesso comercial do evento, ações pontuais e focalizadas junto de empresas e seus empresários faziam todo o sentido, assim como, a criação de um ‘canal’ (web) que transmitisse previamente notícias sobre as galerias e os projetos que estas vão trazer à feira criando uma apetência pela visita ao espaço e ao mesmo tempo premiar as galerias que queiram investir na ‘ARTE LISBOA’. São apenas sugestões/constatações e que por não estar a cem por cento por dentro do que se fez corro o risco de em algumas até estar enganado, se assim for, ainda bem pela organização.

Como sou otimista acredito que esta feira vai continuar a existir, que a nossa imprensa irá falar muito da sua arte e artistas e não continuar apenas a publicar os press releases da organização. Acredito que a organização irá passar a usar o ‘jogo de cintura’ que teve para contrariar a crise e a falta de adesão de galerias nacionais para encontrar novas formas de dinamizar e fazer crescer este evento até ao nível de outros certames em outras capitais europeias.

Sucesso para os Artistas…